VILA DAS AVES // II ENCONTRO EX-COMBATENTES

 

Decorreu no sábado 23 de julho o segundo encontro de ex-combatentes organizado, em parceria, pela Junta de Freguesia de Vila das Aves, a Associação de Reformados de Vila das Aves e o Núcleo de Vizela da Liga dos Combatentes.

Foram entregues as medalhas comemorativas das Forças Armadas aos combatentes e, depois da missa solene em memória dos combatentes falecidos, o encontro prosseguiu no novo parque do Amieiro Galego.

 

Opinião de Adélio Castro

(Publicado na edição 562 do Entre Margens, 9 junho de 2016)

adélio castro

Cabriteiros finos

Cabriteiro é uma digníssima e estimada profissão exercida por aqueles que se dedicam à criação e venda de cabritos.

Todos nós conhecemos, no entanto uma outra casta de cabriteiros, os finos, que tendo um salário que daria mal para carapaus e água da fonte uma vez por semana, se empanturram todos os dias de lagosta e champanhe francês. Cruzamo-nos com outros que embora acelerem impantes potentissímos automóveis, têm uma féria que mesmo que os ditos bólides consumissem apenas promessas políticas não cumpridas, jamais a conseguiriam esticar sequer para pagar uma deslocação à missa. E temos finalmente muitas notícias de cabriteiros finos, daqueles grandes, que tendo rendimentos declarados que no máximo dariam para mandar cantar um cego ou dois, ostentam património e capitais, espalhados por multiplos “Offshores” da moda que metem num chinelo velho um qualquer afortunado euromilionário.

Como se não bastasse os ditos cabriteiros finos, escarrapacham nas redes sociais, ou nos meios de comunicação social de sala de espera, conforme o respectivo estatuto, orgulhosamente as suas feéricas, gloriosas e pornograficamente dispendiosas vidas, com aquele ar de quem nunca perceberá aquela triste gentinha que acredita que se deve viver de trabalho honesto e que daquela miséria arrancada a sangue, suor e lágrimas se deve, pasme-se, arrepanhar um pedaço para pagar impostos.

Grande parte destes grandes cabriteiros finos são pretensamente servidores da “res publica”, que entram ao serviço da dita com uma mão atrás e outra à frente pagas a prestações e enquanto o diabo esfrega um olho, estão a concorrer com o conhecido magnata Aristóteles Sócrates Onassis.

Ora isto só é possível, porque neste nosso Portugal não é crime um qualquer cabriteiro fino ser titular de um património que com os míseros rendimentos que com uma monumental lata apresenta fiscalmente, nem em cem longas vidas conseguiria pagar.

É claro que o povo topou-os à legua e para exterminar esta praga que escarra a Pátria com a chaga da injustiça crónica e mais grave com o crescente asco pela política que devia ser mais nobre das funções, decretou através do seu tradicional meio de governança um sábio provérbio: “Quem cabritos vende e cabras não tem de algures lhe vem.”

Mas, sabendo-se bem porquê, os nossos políticos fingiram não ter percebido e criminalizaram apenas os actos de corrupção, branqueamento de capitais e outros que tais que exigem a dificílima ou impossível prova de todos e de cada um dos normalmente milhentos actos de corrupção que deram origem a tão avultadas maquias. E por isso, fingindo agora um partido e depois outro com aqueles arrancos típicos de segurem-me que vou-me a eles, lá vão mudando as moscas para que tudo o resto fique na mesma.

É preciso que se cumpre a vontade do povo e que de uma vez por todas se criminalize o enriquecimento ilícito, é preciso acabar com a triste sina de ver os cabriteitos finos de braços cruzados e com ar de virgens impolutas a ver a justiça a patinar na prova dos actos de corrupção sem sequer se dar ao trabalho de fingir explicar a origem de tantos cabritos orfãos.

É urgente que os verdadeiros políticos que também os há, acabem com esta orgia insana, que sangra o nosso Portugal.