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foto de Vasco Oliveira para o Entre Margens

O  Rio Ave Futebol Clube, de Vila do Conde deve o nome ao Ave, o rio que banha a cidade e aí desagua. 

O Desportivo, de Vila das Aves, deve o nome aos rios que a limitam: o Ave e o Vizela.

Pois é, desengane-se quem ainda pensa em passarada quando lhe falam do Aves, pois Vizela é a evolução de “Avicella”, o Ave pequeno, que se vem juntar ao seu maior ali no fim do lugar de Cense, um lugar outrora designado por Inferno onde existem duas pontes do caminho de ferro, sendo que a mais antiga é agora pedonal.

Embora nunca se tenham encontrado ao nível do escalão máximo do futebol nacional, o jogo Desportivo das Aves – Rio Ave, da sexta jornada do campeonato da primeira liga é um dérbi não apenas pela proximidade que o rio lhes confere mas também pela história de muitos anos de confrontos nos tempos dos pelados e das bolas de capão. O Desportivo é um pouco mais antigo do que o Rio Ave e tiveram confrontos de “alta tensão”, quer no Bernardino Gomes (o campo que tinha uma ramada com videiras e é agora é campo a sério com as medidas legais e relva sintética), quer no Campo da Avenida, que a pressão imobiliária transformou em blocos de apartamentos.

A prova de que os confrontos futebolísticos entre os dois clubes eram do tipo “dérbi” está descrita no livro “Do fundo do baú”, que conta histórias da vida desportiva de algumas velhas glórias do Aves. A propósito do Zé Pereira, que, posso garantir, foi o melhor avançado-centro que por cá jogou, diz o cronista que lhe “dava um gozo especial marcar golos ao Sardinha, afamado guarda-redes do Rio Ave e ainda mais ao Vieira que metia uma pedra na mão para, ao saltar à bola com o Zé, lhe dar com ela na cabeça. Quando lhe marcava um golo dizia, com ar de gozo, vai buscá-la”.

Na primeira liga, os vila-condenses levam a palma aos avenses mas não desesperemos que “por este rio acima, isto que é de uns também é de outros”, é preciso jogar de igual para igual e prognósticos, só no fim do jogo. Espera-se pelo menos que os avenses não deixem fugir os três pontos água abaixo pois, por um rio ou outro dos dois que nos banham, a Vila do Conde vão ter. A reedição do dérbi obriga a lutar e, se necessário, perguntem ao Zé Pereira como é que se marcava golos ao Sardinha.

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